Quarta-feira, Dezembro 16, 2009

abAtido...

A caminho da longa espera encubro-me de propostas. O arco do vento sul leva as certezas tão próximas e um sentido se apropria. A improbidade deste escrivão nem sonda aquele dia do último, do que foi, do que és e do que eu ainda não sei.

Banho-me nas incertezas da alvorada sem tiro e sem canhão e sobrevivo. A obra mais significante não esta em recolher os abatidos. Eles morrerão de qualquer jeito. Preciso seria se ela não fosse tão contundente. Se a morte da dor morresse.

Se assim o fosse mesmo, prestaríamos à mão um gesto pátrio. E não o sendo, presto-me a transpor as etapas que sangram. Encobri-las de forma a não sangrar em ti o meu sangue abatido, pois do sangue que me tirastes não te dou uma gota.


Rodolfo Lima.

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Domingo, Dezembro 13, 2009

vinHo...

Vinho é aquela hora em que o sangue já perdeu o seu frescor. Na veia foi a coágulo e de estanque parou. Leucêmico amor doído. Diz-me qual a sua cura que hei de ir. Não fujas como a um ente que se foi. Apresente-se.

Não doa silencioso. Sem fazer-se presente pouco saberei o ponto que és mais nostálgico. Sei que preferes o calo, mas sem mostrar-se não poderei ir ao desvendo. Ficarei inerte aos anos, as datas e as, terríveis, horas. Achegue-se.

Julga-me incapaz de saber-te e eu até compreendo. Por anos não lidei com a sapiência exigida e maldito fui. Mas eis que te imploro aqui. Regurgite todo o meu saber até purificá-lo. Chegou o tempo de ti desvendar. Cure-se.


Rodolfo Lima.

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Domingo, Dezembro 06, 2009

poEta...

Poeta quer reunir loucura e desejo, insanidade e prudência nas linhas mais tortas possíveis. Poeta quer o dito pelo não dito ou dizer na cara limpa o óbvio que lhe parece, mesmo que este seja tão medíocre que nem mereça ser eternizado em palavras. Poeta quer ser gente que pensa. Poeta quer transformar vogais em consoantes mesmo que consoante seja só sua livre expressão arbitrária. Poeta que ir além da cadeira fria que sentas e dizer irreverências pudicas. Poeta é bruto, questiona as incertezas com a certeza de que flor será. Poeta é um fingidor finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente. Poeta quer vomitar o que lhe compete, o que nem lhe remete, com cheiro, sem cheiro e com um sagaz sabor...


Rodolfo Lima.


Escrevi aqui, modifiquei e publiquei. Fiquei irresponsavelmente inspirado pelo poeta maior Fernando Pessoa e suas variantes.

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Terça-feira, Dezembro 01, 2009

ambuLantes...

Pirotécnicos ambulantes queimem o passado na sua forma epopeica. Digam, em clarão, suas verdades guardadas na hegemonia social que eu fico a observar-te. Reine sobre este túmulo como os velhos jarros padecentes ao cheiro de margaridas em tons podres. Por que o podre, de tão podre, migrou para a catedral ao lado. Não quis te vê-lo implorando pelo suor alheio.

Sim, ambulantes dos quereres mostrem-se impiedosos. O ar de gratidão não é merecido, nem por ti nem pelas ingênuas, suas, vítimas. Talvez sua má querência inspire as velhas senhoras ao súbito e esperado fim. Motive aos mais tenros a não te seguir. Ambulantes não merecem seguidores. Roubam o sentir, aqui e ali, e quando dele se apropriam jazem irônicos sem perceber que eu os vigio.

Sou da sua corja. Fui tolo ao guiar-me a ti. Esperto sois vós, ambulantes desejos. Passeiam de peito em peito prontos ao sabote. Como poderia ser diferente se aprendem isso no fundamental. Rendi-me à sua atemporalidade sem perceber o quanto agia covardemente. Chega. Fim. Eis que te denuncio. Seu ponto foi confiscado. Para continuar a viver fixe-se e serás o visto pelo visto.


Rodolfo Lima.

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Quarta-feira, Novembro 25, 2009

contraDições...

Droga de amor e seu estúpido coletivo. Cheio de estrofes enumeradas na raiz do executor. Percebe-se confiante e por isso vangloria-se em todos os epitáfios. Dispersou toda a minha credibilidade em fragmentos factóides daqueles que as "caras" da vida fomentariam seus rostos em rotos cirurgicamente emplastrados num sorriso único.

Sarcástico e, perversamente, enjoativo. Porque precisava ser tão afobado neste jogo de um só ganhador? Não ganharia de qualquer forma? Gastou-se como a um fósforo sem aproveitar do cheiro mórbido que da fumaça esvaia. Mesmo assim não se furtou da capacidade milimetricamente persuasiva de conjugar verbos na primeira pessoa do seu presente.

Fiz um tango de dois toques. Sim, eu o quis ao meu lado e usei dos sabidos sentidos para convencê-lo a agir de forma natural. Chamei-o ao canto e de canto pus a entoar melodias. Talvez quisesse sugar sua maldade infantil só para torná-lo limpo. Foi então que percebi que bom mesmo é tê-lo inteiro. Amor que é amor é Deus e o diabo na terra do sol.


Rodolfo Lima.


Livre citação:

- Caras.

- Deus e o Diabo na Terra do Sol do Glauber Rocha.

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Quinta-feira, Novembro 12, 2009

1...

De ano em ano as coisas param por um segundo no mesmo ângulo e se vêem como se soubessem o que dizer umas as outras. De longe imaginam o que tanto almejam e sonham a conquista do inconquistável. A simbologia dá a luz aos passos seguintes como se ao todo pudessem unir interação e pausa serene. O que se passa após, nem o apagar das luzes revela. É o novo e angustiante ciclo que nos faz vivos, que nos quer vivos. É como se diante de nós algo silencioso impulsione a mais um novo verão. E nos chamasse a viajar neste túnel. No turbilhão de desejos, quereres e percepções.

1 ano deste blog.

Obrigado a todos. As idéias, fornecidas no post conVoco, serão aproveitadas uma a uma.


Rodolfo Lima.


"Mais se ganha quanto mais se dá. E há ascensão junto com a queda"

Frou Frou – Let Go

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